quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dicas


Prevenir – Se faz birras sempre que o leva consigo às compras, tem boa solução, não o/a leve. Se o/a tiver mesmo de levar, não se lembre sequer de o/a lembrar que faz sempre birra. “- Ana, vê lá se desta vez não fazes birra, ouviste?” … adivinhe lá o que ela vai fazer a seguir…
Perceber - Há birras de sono, de fome, de cansaço, de aborrecimento ou simplesmente de fase... Se souber que as birras são uma fase, é importante que não ceda para que não se prolonguem para lá da “fase”. Já sabe, se o vir a fazer algazarra no corredor do Homem-Aranha, ignore e mentalize-se que vai passar.
Negoceie – É preferível chegar a um acordo do que partir logo para a autoridade, pois esta só é viável quando eles ainda são pequenos. Se quer que ele/ela deixe a TV para ir dormir, diga: “Vês até ao fim desse episódio e depois vais para a cama.” Vai ver que resulta muito melhor do que arrancá-lo/a à força do sofá.
Explicar – Normalmente as crianças percebem mais do que aquilo que nós pensamos que elas percebem, perceberam? (ahaha) Não se ponha com grandes discursos para uma criança de dois anos, e claro que saber que tem de ir para casa porque são horas de jantar nem o/a aquece nem arrefece, mas é super hiper mega importante que elas saibam que há sempre uma razão, e que a mãe ou o pai não fazem aquilo só para mostrar que mandam.
Demonstrar - "AHHHHH NÃO SE BATE NO LEONE (o cão)." E a Mafalda fica a olhar para mim muito séria. Às vezes, eles não fazem o que deve ser não porque não querem, mas porque não sabem como. “Ahhh não se bate no Leone, faz uma festinha, assim” e mostre. =)
Compadecer-se – O nível de paciência das crianças é muito reduzido. Não experimentem passar uma tarde inteira num café com os seus amigos (ou seja lá quem for), e arrastar a criança consigo. Se (por acaso, mas só por acaso) o fizerem, de vez em quando leve a criança a apanhar ar e ver outras coisas. Nem que sejam as flores de um canteiro qualquer lá da rua.
Persistir – É fase é fase mas não caia na tentação de ceder, senão a fase vai prolongar-se até aos 45 anos. Se não há razão para lhe dar aquele brinquedo, ou para o/a deixar ir dormir à casa do/a amiguinho/a, não ceda. É um favor que lhe está a fazer: crianças que se habituam a ter tudo não aprendem a esperar, a resistir à frustração e a domar as suas fúrias.
Afastar-se – Se, por exemplo, estão numa festa de aniversário e a sua Joana já vai na 2ª mordidela que dá na bochecha da Matilde, não lhe dê um sermão. Chegue-se ao “local do crime”, diga-lhe que não se faz porque blablabla (a tal razão) e afaste-a. Provavelmente, vai espernear e chorar. Mantenha-a no seu colo ou perto de si, mas “longe” da festa, e espere que se acalme. Elogie o facto de se ter acalmado e incentive-a a pedir desculpa. Se repetir, faça tudo de novo. Há crianças muito persistentes e teimosas, e temos de ter paciência para que não nos salte a tampa e para que as possamos educar da melhor maneira possível. Depois de passada a tempestade, não recrimine e não fale mais disso. Voltem à brincadeira.
Ser esperto/a – Às vezes, basta um pouco de imaginação. O Tiago deixou cair a caixa de Legos ao chão. Se disser: “TIAGO MANUEL APANHA-ME JÁ ESSES LEGOS.” Não espere grande esforço da parte dele. Mas experimente: “Vamos ver quem apanha mais Legos do chão.” Vai ver a velocidade a que são arrumados… ahaha
Rir - Se a birra ainda não estalou, mas está mesmo para vir: Se ela está de sobrolho franzido, por exemplo, leve-a a um espelho e diga: "olha lá para a tua cara". Os rapazes são mais concentrados na birra e não costumam achar graça a estas dispersões, mas as meninas, geralmente, desatam a rir.
A guerra da comida - Não quer comer? Não come. Tão simples como isso. Não o/a habitue a ir à janela ou a ouvir histórias só para que coma. Uma refeição é uma refeição. Se não lhe apetece é porque não precisa, e nenhuma criança com comida na mesa passa fome. Come melhor ao jantar. Mas depois não ande a enchê-lo/a de bolachinhas a tarde toda, não é...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

As "festinhas" do final de ano

Estava a fazer uma pesquisa sobre jardins-de-infância quando me deparei com alguns vídeos daquelas festinhas de final de ano, e me lembrei daquela a que há um ano assisti.
Foi uma daquelas festas típicas, em que os pequeninos fazem uns “teatrinhos”, umas coreografias, umas secções decoradas de ginástica, cantam, enfim, trinta por uma linha.
Adoro crianças e, como tal, sou bastante atenta e crítica em relação a tudo que esteja ligado a elas.
Recordei algumas passagens de observadores entretidos na plateia, que gravei na memória, do género: “ - Ai elas trabalham mesmo bem com as crianças!” “– Estas educadoras são muito competentes.” “– O trabalhão que elas tiveram a organizar isto tudo…”. Isto, enquanto se riam de uma ou outra criança mais desesperada lá para o meio.
Meus senhores, festinhas de final de ano deste género são um atentado às vossas crianças. Não sou nenhuma especialista, e, portanto, tudo o que escrevo é apenas opinião de uma espectadora atenta.
As crianças são obrigadas a se exporem e a levarem um empurrão ou outro, porque às tantas a festinha começou às 20h30 sabe-se lá porquê, e a pequenada já está a morrer de sono.
Realmente o trabalho destas educadoras é genial. Por cerca de um mês, trabalham com as crianças na “festinha”, obrigando-as a pressões, stresses, decorar passos, músicas, enquanto podiam estar a brincar e a desenvolverem muitas capacidades com meia dúzia de legos, ou uma folha de papel.
As educadoras trabalhariam bem, se no final do ano expusessem, por exemplo, todos os trabalhos que as crianças fizeram ao longo de todo o ano. “Uma exposição como gente grande”,”A semana das exposições”, em que não há horário específico para que qualquer pessoa aprecie os trabalhos da pequenada! De 1 aos 5 anos, não importa se fizeram origamis, e o João (cinco anos) fez o barco direitinho, enquanto do papel da Beatriz (2 anos) sobrou uma bola amarrotada. Não importa. É trabalho deles e assim, não temos de expor as crianças a figuras ridículas, das quais, muitas nem um suporte familiar têm para assistir à festinha, ou então, são crianças mais tímidas e reservadas, que elas (as tais educadoras competentes), obrigam, literalmente, a estar presente. Porquê? Porque sim! Porque elas querem. Porque é bonito e fica bem. Aliás, dá até mesmo para as pessoas pensarem: “- Vês? Até trouxeram aquele miúdo que foge sempre de toda a gente e anda o dia todo enfiado lá nos cantos da sala. Elas devem andar a trabalhar esses traumas dele.” Trouxeram pois, trouxeram-no para um pesadelo, e os traumas que elas trabalham são apenas os que lhe acrescentam. E depois, acho interessante a hierarquia do palco. As crianças mais desenrascadas na frente, e o resto lá atrás. Atrás, deviam ficar as educadoras. E não atrás das crianças, mas atrás das cortinas. As crianças não têm de ser as marionetas mal usadas de educadoras que só querem fama e bom proveito.
Ia escrever “acho” mas tenho a certeza: não quero ser dessas “educadoras competentes”. O palco dos meus educandos será o tapete da sala, e o meu lugar, sempre, sempre atrás das cortinas.