sábado, 11 de dezembro de 2010

O choro


Certamente já todos assistiram a algo muito típico das crianças (mais, ou menos pequenas), que é deixarem de respirar por entre uma crise de choro. Até já estou a imaginar-me com 3 anitos, numa choradeira interminável, deitada no chão de barriga para baixo, com os olhos aguados e a baba a cair da boca aberta e imóvel, sem respirar. Pois é, muitas crianças têm crises de choro violentas e interrompem a respiração durante a expiração e muitos de nós já nos vimos desesperados com uma situação destas. Muitas crianças chegam até a desmaiar. A esta reacção dá-se o nome de “espasmos do choro” e surgem em resposta a um factor desencadeante, como a frustração, raiva ou dor súbita.
Decidi falar sobre isto, não porque os espasmos do choro me preocupem, mas porque me inquietam as reacções das pessoas. Adivinhem lá qual a reacção imediata…Claro: abanar a criança. Abanar com a mesma precisão e determinação com que abanamos um mealheiro cheio de moedas.
Meus amigos, se não se lembrarem de mais nada, em último caso, deixam-na chorar. Principalmente, se for um bebé, abaná-lo poderá causar danos internos graves e inimagináveis. Todos sabemos que a cabeça do bebé é desproporcionalmente grande por comparação com o corpo, tornando-se um autêntico pêndulo num vai-e-vem vigoroso, quando agitado. Isto aumenta a pressão sob o cérebro e pode causar hemorragias.
1ª Lição - NUNCA abane a criança!
2ª Lição – Não lhe faça as vontades todas só porque sabe que, se a contrariar, vem aí choradeira e possível espasmo
3ª Lição – Se estiver à porta um espasmo, mantenha-se calma/o e prepare-se para dar um sopro bem forte na cara da criança

O mais importante é educar a criança no sentido de a ajudar a lidar com as situações, evitando assim, crises de choro violentas.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Editora EDIBA EON

http://www.ediba.com/ediba2009/Por/descargas.asp?R=porEI

Basta clicar nos links "Actividades complementares (.pdf)" e descarregar para o seu computador um verdadeiro tesouro de actividades para explorar com os mais pequenos!

sábado, 13 de novembro de 2010

As regras das regras =)


As crianças devem estar conscientes de que os pais não ditam regras porque sim, mas porque estas são necessárias. Para que isso aconteça, quando apresenta uma regra, esta deve vir sempre acompanhada pela explicação. Por exemplo: “- Joana, tens de fazer os trabalhos de casa antes do jantar, porque depois fica tarde e começas a sentir-te cansada e com sono.” Tenha atenção à forma como diz a regra, evite usar o “não”, do género: “-Não podes fazer os trabalhos de casa depois do jantar...” Se reparar, a frase adquire um tom muito mais negativo e opressor.
Algo que também resulta muito bem é deixar que a criança participe na regra: “- Tens de fazer os trabalhos de casa antes do jantar…blablabla…mas queres fazê-los mal chegues a casa, ou preferes ver um pouco de televisão antes, ou dar um banho…” A criança vai sentir-se também responsável pela regra e, adorando vestir um pouco o papel de adulta, vai ser muito mais fácil e motivador cumprir a regra.
Quando há regras, devem sempre ser formadas, em paralelo, as consequências de infracção das mesmas. E também aqui, deve deixar que a criança participe: “- Que consequência achas que deve ser aplicada? Ficares sem ver televisão ou não poderes levar para a escola nenhum brinquedo durante três dias?” Se reparar no exemplo, deixamos que a criança participe na consequência mas não de um modo totalmente livre. É bom enumerarmos sempre algumas escolhas, afinal, é consequência…e a criança não se pode dar ao luxo de a escolher sozinha. É importante que essas escolhas sejam algo de desagradável para a criança: não adianta dizer à Inês que se acabaram os passeios por uma semana se ela até faz sempre birra para sair de casa. Não se esqueça de algo fundamental: aplique sempre a consequência porque se vacilar, perdeu a regra!

sábado, 25 de setembro de 2010

Lá vem o Outono arrastando consigo o frio e a chuva. Acabou-se a época em que facilmente entretemos as crianças na praia com um balde e uma pá, e em que todos (ou quase todos) andam alegres e relaxados. Acabam as férias e lá volta a rotina apressada e stressante.
O que fazer num fim-de-semana chuvoso?
• Se acordou cedo (provavelmente com as crianças a saltarem-lhe para a cama), leve-as até ao museu. Normalmente, aos domingos de manhã, a entrada é gratuita e desenvolvem-se actividades práticas direccionadas aos mais novos.
• Porque não se dedica à cozinha infantil, durante a tarde? Façam um bolo ou bolachas para o lanche. A pequenada adora colaborar! E podem sempre convidar os avós para o lanche.
• Façam pipocas, aluguem (ou façam download – agora é só modernices xD) de um filme que agrade a todos, e assistam todos juntos.
• Estão mesmo, mesmo exaustos? Encham a cama de almofadas e peluches, e durmam a sesta debaixo de uma manta quentinha.
• Os miúdos estão eléctricos e você já está com os nervos em franja, sem saber o que fazer? Ponha uma música animada a tocar, e toca a dançar! Entretém a pequenada ao mesmo tempo que relaxa. O/a papá/mamã não quer dançar? Invente com as crianças uma coreografia simples e engraçada para lhe exibirem mais tarde.
• Porque não pegar na máquina fotográfica e tirar auto-retratos com os seus miúdos em frente do espelho? Faça caretas, figuras sérias ou engraçadas, e divirta-se a gravar momentos para mais tarde recordar.
• Não chegaram a acampar no Verão e as crianças decidiram querer muiiiiito? Monte uma tenda na sala. Sim, tape a mesa de jantar com um cobertor ou um lençol e verá o quão difícil será tirá-los lá de baixo!
• Faça uma “Caça ao objecto”. Escolha vários objectos e esconda-os pela casa. Entretenha as crianças à procura deles, ganha quem encontrar mais.
• Crie uma “caixa para dias molhados”. Guarde lápis de cor, cartolina, fita-cola, plasticina, aguarelas, entre outros, e deixe as crianças criarem as suas próprias obras de arte. No final, pode exibi-las no frigorífico!
• Se tem onde as guardar, não deite fora as caixas de sapatos. Construa, com as crianças, uma casa para a Barbie e/ou uma garagem para os carrinhos.
• Deixe-os vestir as suas roupas e sapatos que já não usa e divirta-se observando-os a serem adultos por uma tarde.
• Se não estiver muito frio, vistam-se a rigor e brinquem alguns minutos (para evitar constipações!) na chuva, poças de água incluídas!
• Se tiver um gravador, grave vários sons domésticos e incentive as crianças a adivinhar. Deixe-os também fazer gravações e ponha-se à prova!



...

Demita-se!

O que é que se diz a uma professora do 1º Ciclo do Ensino Básico que é contra as actividades extra-curriculares e embrulha os alunos numa tempestade de trabalhos de casa?

domingo, 8 de agosto de 2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010



Se a sua criança se tornou muito pouco sincera, esconde factos e mente compulsivamente, onde acha que ela aprendeu isso? Sim, com você.

Temos o hábito ridículo de, desde cedo, impedirmos as crianças de se expressarem com sinceridade, coisa que tão bem sabem fazer.
Vejamos:

Inês: 5 anos
A Inês diz à vizinha de 50 anos que ela tem um bigode igual ao do papá.
O que você faz?
Dá um abanão desesperado no braço da miúda, arregala os olhos numa expressão monstruosa e, com a sua face a menos de 10 cm de distância da cara surpreendida da Inês, diz-lhe num tom assustador que: “ISSO NÃO SE DIZ!”.

Tiago: 3 anos
O Tiago vai à festa do Duarte, prova um rissol que, por acaso, lhe soube mal, e decide confessar à mãe do Duarte que os rissóis da mamã são melhores.
O que você faz?
Primeiro desculpa-se gagamente com uma “frase fácil”: “- Ultimamente, não sei o que se passa, anda muito enjoado com a comida. Até porque já provei os rissóis e estão muito bons. Aliás, onde comprou?” Diz isto numa questão de segundos porque está pronta para vomitar um “ISSO NÃO SE DIZ!” para cima do Tiago, e claro, acompanhado pela expressão aterradora de quem atinge um estado de vergonha e fúria capaz de espremer uma pedra.

E, perante este circo, a Inês e o Tiago só ficam a perceber uma coisa: “Há coisas que não se dizem”. E se a mamã ou o papá escolhem essas coisas, eles também podem escolher. E depois admire-se que a Inês não admita que, realmente, foi ela quem partiu o jarrão da sala com a barbie que deveria ter acertado no cão, ou que o Tiago minta dizendo que foi o João quem mordiscou a Lara. Sim, porque, depois das “coisas que não se dizem”, eles aprendem que podem dizer outras coisas para compensar as que “não se dizem”.

E lá vem a vossa pergunta… Então, como os educamos se não podemos chamar a sua atenção?
Resposta: Pode. Pode e deve “CHAMAR A SUA ATENÇÃO”. Nos exemplos acima, não há chamadas de atenção. Há repreensões sem explicação. Distinga a má educação da sinceridade inocente.

E lá vêm os meus exemplos:

Por exemplo, na história da Inês, a mãe/o pai deveria pedir desculpa à vizinha pela observação da filha, não entrando em grandes discursos (óbvio), esquecendo o assunto.
Mais tarde, deveria aproveitar para ler uma história ou ver um episódio de um desenho animado na companhia da Inês, que vincasse o facto de que corremos o risco de magoar as pessoas com aquilo que lhes dizemos ou fazemos (o Ruca tem episódios fantásticos, aconselho). Se não dispor de nada, invente uma história que a/o ajude, enquanto finge que lhe lê um livro. Isto aplica-se também ao exemplo do Tiago.
Para além de as crianças se identificarem mais com estas estratégias do que com os seus sermões, normalmente ficam com uma perspectiva mais ampla e clara do problema.
Ainda em relação ao Tiago, a sua mãe/o seu pai, poderia, já em casa, acompanha-lo na realização de um desenho de uma casa (por exemplo), e, no final, mostrar-lhe que os seus desenhos, para além de terem desenhado, os dois, uma casa, os desenhos são muito diferentes, mas estão os dois muito bonitos. Ou construam, cada um, um barco com legos e realce com ele as diferenças. Depois, sem repreensões, lembre-o: Lembras-te de hoje, na festa do Duarte, teres dito à mãe dele que os meus rissóis são melhores? A verdade é que tal como no desenho que fizemos/barco que construímos, também a comida as pessoas fazem de modo diferente. Nenhuma pessoa faz uma coisa exactamente igual à outra pessoa, e não quer dizer que não esteja igualmente bem, apesar de, por vezes, podermos ter preferência. Os rissóis da mamã não são melhores, são apenas diferentes do que os da mãe do Duarte, mas não são melhores, tu é que tens preferência, não é? Se calhar o Duarte prefere os da mãe dele também.” Deixe a criança expressar-se e verá que o diálogo com exemplos práticos vale muito a pena.

Agora lembre-se: “ISSO NÃO SE DIZ!” não ensina nada e estraga tudo.

sábado, 3 de julho de 2010


Exemplo: Se quer passar uma imagem positiva acerca da sopa, porque insiste em lhe dizer que só terá direito à sobremesa se comer a sopa? Ninguém diz que só tem direito à sopa se não deixar nem uma batata frita no prato…

“Não foi assim que a eduquei!”, tantas vezes se ouve depois de a criança ter feito algo reprovável. Pois é, a questão é mesmo a forma como educamos as crianças.
O exemplo é algo muito comum, mas não só em relação à sopa. Sendo a opção menos cansativa, temos a terrível mania de compensar algo “mau” com algo “bom”. O pior é que esta distinção não existe até este momento. Ou seja, embora passemos muito tempo a falar bem da sopa, que faz crescer e não sei quê, na hora da verdade, sem perder tempo, escorregamos na asneira de passarmos a imagem de que realmente a sopa não é minimamente agradável e, por isso, “despacha-te a comê-la pois tens a deliciosa sobremesa à espera”.
Ou, então, aquela: “Ai não comes a comida?!? Olha que te dou sopa!” (Ouviste, Afonso? Se não comes a comidinha que é tão boa, castigo-te e engoles a sopa).
Menciono a sopa, mas há outros momentos em que isto se aplica, por exemplo: “Só vês televisão se fizeres os trabalhos de casa” (Faz lá um esforço e depois podes regalar-te a ver televisão).
Deve ser por isso que nunca fui a favor dos castigos. E perguntam-me vocês: Ai sim? Então como é que fazemos? Não há regras?
Resposta: Claro que sim. Mas as regras devem existir em separado, não juntando umas coisas às outras. Não juntem a sopa à sobremesa, nem a tv aos trabalhos de casa. Dêem-lhes valores mais amplos, mais objectivos, como: “primeiro a obrigação, depois a diversão”. Faça-o perceber que: ”Não fazes os trabalhos de casa para depois poderes ver televisão, mas sim, vês televisão porque fizeste os trabalhos de casa”, sim, é muito diferente.
E não se esqueça: canções, histórias e desenhos animados, se bem seleccionados, dão uma grande ajuda. Por intermédio destes, as crianças aprendem mais e melhor.




*Não percam o próximo episódio xD

sábado, 29 de maio de 2010


Não é de admirar as fitas que as crianças geralmente fazem no hipermercados. É realmente uma seca ter de andar de um lado para o outro naqueles corredores que lhes parecem eternamente compridos cheios de prateleiras gigantescas. E lá vai a criança a acompanhar o ritmo do carrinho de compras por aquele corredor que até já decorou pois os pais já nele deram mil voltas para encontrar o papel higiénico. Dirigem-se à caixa de atendimento e, de repente, a mãe lembra-se que se esqueceu de pegar nos pacotes de arroz. Lá vão eles de novo, por aquele mar de gente e de produtos, procurar o maldito arroz que escapou à memória da mãe. E um “passeio” pelo hipermercado que até nos parece agradável, torna-se numa tarefa árdua para qualquer criança. Depois, claro, para além das birras de cansaço, ela terá de arranjar algo melhor para se entreter que é, na maior parte dos casos, aquele brinquedo da prateleira do mundo mágico que ela quer e quer e quer e vai ter de levar porque quer... e quer muito.

Há dias, enquanto recortava alguns produtos de um folheto de publicidade do Continente, lembrei-me de algo que pode ser útil aos papás:
Em vez de ser você a fazer a lista das compras, porque não deixar que a criança a faça? Por exemplo, ponha ao dispor do seu filho algumas das revistas/jornais de publicidade (daqueles que até costumamos amontoar no correio), e uma tesoura (se a criança tiver menos de 6 anos, dê-lhe uma sem lâmina). Vá-lhe ditando os produtos que deseja comprar e deixe que a criança os procure e recorte dos folhetos. Depois, com a sua ajuda, colem-nos numa folha. Esta actividade, para além de entreter a criança, dá-lhe um certo sentido de responsabilidade e inclusão nas tarefas de casa. Assim, a criança levará a lista e poderá deixá-la ir ditando os produtos e até ajudar a procurá-los. Isto mantém o seu filho entretido durante todo o tempo que passa no hipermercado, e fa-lo-á sentir-se orgulhoso e crescido por poder ajudar.
Pode, ainda, fazer melhor: de vez em quando, dê um miminho à criança. Ao fazer a lista, cole um quadradinho de papel em branco na folha, simbolizando um produto surpresa. Ou seja, esse papel é algo que irá ser comprado especialmente para a criança, escolhido por você. Não tem de ser necessariamente um brinquedo. Poderá ser um chocolate ou uma embalagem de gomas, um pacote de gelatina em pó ou até um avental para a criança a/o ajudar na cozinha (sim, as crianças adoram ajudar a fazer bolos ou bolachas, mexer a sopa, etc). Esta opção facilitará muito a sua tarefa no hipermercado. A criança vai habituar-se a saber que só tem direito a alguma coisa, se estiver na lista o quadradinho de papel em branco.

Normalmente, as crianças até aos 3 anos não se aborrecem tanto no hipermercado porque, geralmente, vão no acento do carrinho de compras e conseguem entreter-se muito bem até com uma laranja. Depois dos 3 anos, para além de se interessarem muito pelos brinquedos e quererem comprá-los todos, já sabem fazer imensas birras e, como já não têm lugar no acento do carrinho, cansam-se mais facilmente. Assim, com a lista personalizada (chamemos-lhe assim), evitará birras de cansaço.

Nota 1: Na hora de fazer a lista não disponibilize à criança toda a revista. Retire as folhas de publicidade aos brinquedos e, se não dispõe de muito tempo para a criança completar a lista, dê-lhe as folhas onde sabe que estão os produtos que precisa.
Nota 2:Depois de algum tempo (muito pouco) vai notar algo muito interessante: faz as compras num curtíssimo espaço de tempo. E não, não é porque a criança parou de fazer birras de 10 em 10 minutos mas sim porque ela, ao contrário de você, já decorou o local de todos os produtos lá do hipermercado e já não precisa de dar mil voltas em cada corredor.
Sim, as crianças são realmente fantásticas!

sábado, 8 de maio de 2010


Se há coisa que me irrita profundamente é ver como a maior parte dos adultos reage quando uma criança se manifesta em oposição a outra. “ – Vá Pedro, nem quero ouvir. Não sejas QUEIXINHAS.” Ora imaginem, o coitadinho do Pedro vai-se sentir, provavelmente, um idiota. “- Mas o Rodrigo bat... –Mas nada, não quero que estejas sempre a queixar-te dos teus colegas!” E o Pedro baixa a cabeça, encolhe os ombros, e recolhe-se num canto qualquer da sala.
Esta situação pode ser muito grave! É muito importante notarmos a natureza da queixa antes de repreender a criança sem quase a deixar falar. Há queixas que a criança faz para sua própria protecção, e queixas que usa apenas para causar dano ao outro. Cabe a nós usarmos de bom senso para resolver a situação. Se o Pedro se queixou que o Rodrigo lhe bateu, e a educadora simplesmente ignorou e ainda o fez sentir-se mal, o Pedro vai crescer a pensar que é feio fazer queixa dos outros. Se mais tarde sofrer de maus tratos ou lá o que seja, o Pedro vai ser daqueles adultos que se encolhe, que se esconde, que não procura a justiça porque “é feio”. Isto até pode parecer ridículo, mas tem muita lógica. A verdade é que nós arrastamos pela vida fora as nossas educadoras, os nossos pais, o senhor do autocarro, ... A verdade é que quando somos pequeninos somos tão maleáveis quanto a plasticina, e se não houver bons artistas ao nosso redor, transformamo-nos em obras inacabadas ou com lacunas enormes. A verdade é que o Pedro faz milhentas queixas diariamente e é sempre repreendido. O Pedro recolhe-se frustrado, mas acaba por descarregar essa frustração noutros colegas. E volta a ser repreendido e, desta vez, castigado. É lamentável.
Se uma criança se queixa para se proteger, devemos ouvi-la e analisar a situação. Por exemplo, a educadora deveria ouvir o Pedro e chamar o Rodrigo para os confrontar. Cada um teria algo a dizer e a educadora terá sempre o papel de amenizar futuros danos: incentivar a se desculparem, a darem um abraço, a voltarem a ser amigos, explicar porque não se magoa os outros, são aspectos fundamentais que devemos ter em conta. As crianças não são parvas. Elas sabem conversar, elas percebem o que dizemos ou o que queremos dizer. É bom que não as tratemos como meros seres pequeninos que deambulam pela sala como criaturinhas que só têm é de ser felizes porque não têm nada com que se preocupar. As crianças também sofrem pressões, também sentem dor, também se deprimem, se irritam, se odeiam muitas vezes.

Tratem das vossas crianças, estejam atentos! E sejam felizes! =)

domingo, 18 de abril de 2010

domingo, 11 de abril de 2010

Para Pais (com filhos no Jardim de Infância) e Educadores




1. "Proibido insultar o jardim-de-infância chamando-lhe "escolinha".
Em primeiro lugar, porque é uma escola. Em segundo, porque todas as
escolas ganhavam se ligassem Brincar com aprender.

2. É proibido que os pais imaginem que o jardim-de-infância serve para
aprender a ler e contar. Ele é útil para aprender a descobrir os
sentimentos. Para aprender a imaginar e a fantasiar. Para aprender com
o corpo, com a música e com a pintura. E para brincar. Uma criança que
não brinque deve preocupar mais os pais do que se ela fizer uma ou
outra birra, pela manhã ao chegar.

3. O jardim-de-infância assusta as crianças sempre que os pais - como
quem sossega nelas os medos deles por mais um dia de
jardim-de-infância - lhes repetem: " Hoje vai correr tudo bem!"

4. Os pais estão proibidos de despedir-se muitas vezes das crianças,
ao chegarem todos os dias. E é bom que se decidam: ou ficam contentes
por elas correrem para os amigos ou ficam contentes por elas se
agarrarem ao pescoço deles, com se estivessem prestes a ser
abandonadas para sempre.

5. É proibido que as crianças vão dia-sim dia-não ao
jardim-de-infância. E que vão, simplesmente, quando os seus caprichos
infantis vão de férias. E que não vão " só porque sim". O
jardim-de-infância não é um trabalho para os mais pequenos. É uma bela
oportunidade para os pais não se esquecerem que se pode amar o
conhecimento, namorar com a vida, nunca ser feliz sozinho e brincar,
ao mesmo tempo.

6. No jardim-de-infância não é obrigatório comer até à última colher;
nem dormir todos os dias. E não é nada mau que uma criança se baralhe
e chame pai/mãe ao educador/a (ou vice-versa).

7. Os pais estão obrigados a estar a horas quando se trata duma
criança regressar a casa. Prometer e faltar devia dar direito a que os
pais fossem sujeitos classificados como tendo necessidades educativas
especiais.

8. Os pais não podem exigir aos filhos relatórios de cada dia de
jardim-de-infância. Mas estão autorizados a ficar preocupados se as
crianças forem ficando mais resmungonas, mais tristonhas ou, até, mais
aflitas, sempre que regressam de lá. E estão, ainda, autorizados a
proibir que o jardim-de-infância só se abra para eles durante as
festas.

9. O jardim-de-infância é uma escola de pais. E um lugar onde os
educadores são educados pelas crianças. Um lugar onde todos se educam
uns aos outros não é uma escola como as outras. É um
jardim-de-infância.

10. Um dia, num mundo mais amigo das crianças, todas as escolas serão
jardins-de-infância!"

Por Eduardo Sá (Psicólogo)

quarta-feira, 31 de março de 2010

terça-feira, 30 de março de 2010

"Então, o que fizeste hoje no Jardim?" Esta é a pergunta mais frequente e a menos correcta. Melhor seria: "Então, o que APRENDESTE hoje no Jardim?". A verdade é que na maior parte dos casos, e infelizmente, as crianças só sabem responder à primeira.
Ainda em relação à postagem anterior lembrei-me: já repararam que é raro o Jardim onde as crianças APRENDEM? Normalmente memorizam histórias, lenga-lengas, canções, coreografias, "peças de teatro", e o resto?
Normalmente, a manhã é dedicada ao conto. A educadora senta-se no chão juntamente com as crianças, pega num livro e lê a história monotonamente, enquanto vai virando o livro para as crianças observarem as ilustrações. Lá se vai a manhã toda porque entretanto a soma dos ralhetes dá metade da manhã, pois o João tava a mordiscar a Maria, o Pedro, o Miguel e a Francisca interromperam para ir à casa-de-banho, a Beatriz estava mais interessada na pulseira da Joana, etc etc. Não é de admirar. A professora devia estar a um nível mais alto do que as crianças (talvez sentada numa cadeira ou até mesmo em pé, podendo assim reagir fisicamente aquilo que é contado) para que todas a vissem e ouvissem melhor. O livro poderia ser digitalizado e mostrado, ao mesmo tempo que ouvem a história, através de um projector ou mesmo no ecrã de um qualquer computador. O facto de se interromper a história para as crianças olharem para o livro torna-se monótono e elas arranjam rapidamente maneira de escaparem da situação. Pior do que tudo isto, é a história apenas ser contada. Ouvem a histórinha, passam a manhã nisto, é tudo muito bonito e vamos lá almoçar. Se tudo fosse realizado com mais consciência, haveria tempo para as crianças ouvirem a história e ainda reflectir e brincar com esta. A educadora poderia pedir que as crianças recontassem a história à sua maneira, pedir as suas opiniões acerca da mesma, se há lições na história, se conseguem identificar "os maus e os bons". Podia inventar um novo final com as crianças, pegando, por exemplo, num novelo de lã que cada criança vai desenrolando e atirando ao colega seguinte para este continuar o raciocínio, fazendo assim uma teia de ideias, podia pedir às crianças que fizessem um desenho acerca da história (elas adoram), e, muito importante, dar logo de início ênfase ao título e autor do livro (só para as crianças notarem que isso é importante, e torná-las mais atentas e curiosas para esses pormenores).
Mas nada disto acontece. Os miúdos habituam-se desde cedo a ser passivos e a reter apenas informação, sem que a explorem ou apliquem. Crescem, vão para o 1º Ciclo e não participam, não estão atentos, não sabem aplicar dados. Crescem ainda mais, vão para o 2º Ciclo, 3º Ciclo, Faculdade e, em vez de se preocuparem em assimiliar e compreender os conteúdos, memorizam-nos na véspera dos testes/exames, e de quem é a culpa? Pois é, da fase Pré-escolar onde se habituaram a reter informação sem lhe prestar a mínima atenção. Notem como pequenos erros, somados, trazem graves prejuízos para o resto da vida das pessoas.
Ser educadora é, na minha opinião, das profissões mais bonitas e das que mais acarretam responsabilidades. É preciso gostar, e gostar muito, para nos empenharmos verdadeiramente naquilo que fazemos e darmos atenção a cada particularidade de cada criança. Temos o futuro nas mãos!

quinta-feira, 25 de março de 2010


Hoje, a caminho de casa, a Maria João (sobrinha, 5 anos) exibia orgulhosamente algo que aprendeu no Jardim. “-Tia, olha: 5+5 são 10; 2+2 são 4; e 4+4 são 8”. Nisto, pergunto-lhe: “- E qual é o resultado de 8+8? E ela: “ – Oh, esse não sei!” “- Não sabes? Então como é que sabes que 4+4 são 8? Porque é que são 8?” “- PORQUE SIM!” Bem…fiquei furiosa com aquele método de “aprendizagem”. Ou talvez um tanto ou quanto frustrada. Percebi que a Maria não estava a demonstrar capacidade de cálculo mental ou mesmo de perceber o algoritmo, mas sim, a exibir a sua capacidade (e que eu aprecio muito) de memorização. Agora digam-me: Qual é a piada de uma educadora ensinar às crianças a decorar o resultado de adições? Qual é a lógica? Qual é a utilidade? Se a educadora transmite às crianças que 2+2=4 e ficamos por aqui, é e pronto, as crianças podem bem afirmar que 3+3 são 7, porque sim. Muitas educadoras preocupam-se tanto com o que as crianças passam para o exterior que se focam em demasia em aspectos superficiais e, muitas vezes, prejudiciais para as crianças, como este caso, dando-lhes ideia de que a matemática é algo fechado e inflexível. É óbvio que os pais adoram ver que a criança já sabe escrever o seu nome, alguns números, já sabe “somar”, mas e o resto? Como é que as crianças aprendem essas coisas? Que lógica tiram elas do que fazem? O que compreendem? Em que sentido isso lhes é favorável? Enfim, tenho uma série de dúvidas. O conselho que tenho para vos deixar é este: é mais importante explorar os sentidos do que ocupá-los!

Observação. Perguntem a uma criança que saiba aquela cantilena “sete e sete são catorze, com mais sete vinte e um” (normalmente, as crianças aprendem-na no Jardim, e logo no 1º ano, as professoras fazem uso disso), qual é o resultado de 14+7. A maior parte das crianças não responderá imediatamente, nem tão pouco associam à cantilena. E sabem porquê? Porque, como disse, as professoras FAZEM USO disso mas não se lembram de EXPLICAR, EXPLORAR, transformando essa adição num acto simplesmente mecânico.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Criancinhas

"A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.

A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A DEVIDA COMÉDIA

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.

Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?

Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos."

quinta-feira, 11 de março de 2010


A Mafalda vai fazer 3 anos e sempre foi uma criança muito inteligente. Para além da sua boa dicção, utiliza palavras complicadas que me espantam, de cada vez que ela se sai com alguma. É muito activa, adora descobrir. Uma das coisas que mais me fascina nela é a sua capacidade de reter informação. A Mafalda aprende tudo.
Acontece que há dias o pai da Mafalda me disse que ela não consegue aprender as cores. “Ela tem um livro com as cores e diz que quer aprender, mas não consegue. Troca-as todas!” Fiquei confusa. Pensei: bem, talvez começando a associá-las a objectos, ela consiga. (Mesmo assim, achei muito estranho que ela tivesse dificuldade nas cores). E aproveitei o facto de ela ter nesse dia um gancho e umas collants cor-de-rosa para lhe ir mencionando isso à medida que íamos brincando. “Anda cá arranjar o gancho cor-de-rosa que tens no cabelo.”, “Puxa as meias cor-de-rosa para cima que estão a descer.” Hmm, ela associou a cor e identificou, porém, fiquei muito intrigada e pensei no assunto durante algum tempo. Lembrei-me então das manhas. Sim, as manhas! Às vezes nós pensamos que estamos a brincar com a criança e é ela quem está a brincar connosco. Provavelmente, a Mafalda aproveita o período de aprendizagem das cores, como um momento de atenção. O pai, empenhado, ajuda-a e apoia-a na aprendizagem, e ela, claro, adora toda a atenção. Como tudo é tão fácil para ela, poderá decidir querer inverter um pouco as coisas e “brincar com o pai”. Então, propositadamente, erra nas cores. Podendo repetir vezes sem conta os erros e divertir-se com as ínfimas possibilidades de erro e, também, com o tempo dispendido no “jogo”.
Dois dias depois expus a minha ideia ao pai da Mafalda e propus que, ao ensinar-lhe as cores, errasse. Se ela estava realmente a fingir na dificuldade em aprender as cores, diria com certeza acerca de um objecto azul: “Nãããão papá, não é nada verde. É AZUL!”. O pai da Mafalda lembra-se de uma coisa importante: esteve a fazer figuras em barro com ela, e na parte da pintura das figuras, ele perguntou-lhe de que cor ia pintar o cesto da fruta e ela respondeu “verde”. Ele ausentou-se um pouco e as tintas ficaram na mesa, aleatoriamente, ao dispor da Mafalda. Quando voltou, ela estava a pintar o cesto (adivinhem de que cor??) de verde!!

A Mafalda fica tão aborrecida com a perfeição limitada, que tentou tornar o “jogo” mais interessante. Não só teve de saber correctamente as cores, como ainda seleccionar uma dúzia de relações erradas. Além disto, teve de “encenar” as respostas emocionais e faciais, fingindo que estava segura das suas respostas.

Riam-se. Porque eu também me ri. As crianças são muito inteligentes. É por estas e por outras que eu adoro aprender com elas!

Educadora de infância??? Ahaha. Qual quê? Até agora, só a infância me tem educado a mim.

terça-feira, 9 de março de 2010

“Estragam-no/a com mimos!!!”
Odeio esta expressão. Não sei se falta aqui um bom entendimento acerca do que é o mimo, ou então se há um (grande) problema de valores.
As crianças são muito sensíveis a tudo a que se passa à sua volta. São autênticas esponjinhas que absorvem toda a informação, já para não falar de que são o espelho daquilo que as rodeia. Os pequeninos constroem a sua identidade com base naquilo que existe ao seu redor, naquilo que lhes transmitem, e naquilo que os incentivam a ser.
Imaginem uma criança que tem tudo o que quer. Que cresce no meio dos berros dos pais, não recebe qualquer tipo de atenção, é castigado mas nunca compensado. Nem precisamos ter a criança em pele e osso à nossa frente. É mais do que provável que seja uma criança irritante, histérica, ansiosa, teimosa e frustrada. Esta alminha não está a ser estragada com mimos, está a ser estragada pela forma sufocante como vive. De que lhe valem os brinquedos todos que ganha ou as roupas da marca não-sei-quê? Isso não é mimar, não confundam. Isso é estragar, sim! Não misturem o “estragar” com o “mimar”.
O mimo é demonstração de carinho, é amar, prestar atenção, acarinhar, afeiçoar. Quem não gosta? Quem não precisa? O Mimo faz com que as crianças se sintam seguras, ensina-as a amar, sensibiliza-as para a demonstração de afectos, acalma-as. Um beijo de bom dia, uma história para adormecer, um pedido de desculpa, uma partilha, um acordo, uma surpresa, uma palavra, um gesto. O mimo pode traduzir-se nas mais variadas acções e todas elas edificam. Não há maneira de estragar uma criança com mimos. Mimar não é “não educar”. Mimar não é dar roupas de marca. Mimar não é fazer as vontades todas. Mimar não é ceder a todos os caprichos da criança. Mimar é demonstrar. É transmitir à criança que, mais importante do que as 5 vogais, a tabuada ou o canal Panda, é o amor. É mostrarmos uns aos outros o quanto nos amamos. É cuidar. São gestos que tornam as nossas crianças em seres mais sensíveis, meigos, afectuosos, calmos.
Nunca mais digam que o mimo estraga. O que falta na nossa sociedade é mimo. MUIIIIITO MIMO! =)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

“Quem nunca viu um bebé a chorar e a ser abanado freneticamente ao mesmo tempo que chora, que atire a primeira pedra.” Normalmente, comparo isto àquela acção involuntária que temos de carregar no botão do comando com mais força, só porque não está a funcionar. Para além de não adiantar NADA, corremos o risco de estragar o comando. Mas vá, deixo-me de divagações.
Os bebés não falam (olha a novidade), quanto muito, balbuciam umas coisitas. A única forma que eles têm de comunicar é através da sua postura, e entra aqui o choro. Quando os bebés choram, não estão a dizer: “RÁPIDO, ABANA-ME COMO SE O MUNDO ACABASSE SE NÃO O FIZESSES!”. O choro pode ter mil e um motivos. Ou chora porque tem fome, ou sono, ou cólicas, ou quer atenção, ...”- Pois claro,” dizem vocês, “e entre tantos motivos, como é que sabemos qual deles é?”, ora, sabem com muita calma e observação. É normal o desespero e ansiedade para que não chorem, mas é preciso olhar para eles e ver como se movimentam, ou até mesmo ouvir o choro, ou ter em conta as horas e as circunstâncias, tudo tem a sua lógica. Não há regra geral no choro dos bebés, o importante é os pais aprenderem a conhecer o seu bebé.

Observações:

Normalmente (não querendo, de todo, dizer que se aplica a todos os bebés):

Cólicas - choram ao mesmo tempo que tentam levar os joelhos à barriga.
Fome - choram e levam as mãos ou objectos à boca.
Sono - choram e esfregam os olhos, contorcendo-se.

Como vêm, os sinais podem ser bem simples e óbvios. Se mantivermos a calma, para além de transmitirmos isso ao bebé, percebemos as coisas com maior facilidade.
"-Podemos ir ao parque?
-Sim. Só um bocadinho.
-Não! Só muito!"

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dicas


Prevenir – Se faz birras sempre que o leva consigo às compras, tem boa solução, não o/a leve. Se o/a tiver mesmo de levar, não se lembre sequer de o/a lembrar que faz sempre birra. “- Ana, vê lá se desta vez não fazes birra, ouviste?” … adivinhe lá o que ela vai fazer a seguir…
Perceber - Há birras de sono, de fome, de cansaço, de aborrecimento ou simplesmente de fase... Se souber que as birras são uma fase, é importante que não ceda para que não se prolonguem para lá da “fase”. Já sabe, se o vir a fazer algazarra no corredor do Homem-Aranha, ignore e mentalize-se que vai passar.
Negoceie – É preferível chegar a um acordo do que partir logo para a autoridade, pois esta só é viável quando eles ainda são pequenos. Se quer que ele/ela deixe a TV para ir dormir, diga: “Vês até ao fim desse episódio e depois vais para a cama.” Vai ver que resulta muito melhor do que arrancá-lo/a à força do sofá.
Explicar – Normalmente as crianças percebem mais do que aquilo que nós pensamos que elas percebem, perceberam? (ahaha) Não se ponha com grandes discursos para uma criança de dois anos, e claro que saber que tem de ir para casa porque são horas de jantar nem o/a aquece nem arrefece, mas é super hiper mega importante que elas saibam que há sempre uma razão, e que a mãe ou o pai não fazem aquilo só para mostrar que mandam.
Demonstrar - "AHHHHH NÃO SE BATE NO LEONE (o cão)." E a Mafalda fica a olhar para mim muito séria. Às vezes, eles não fazem o que deve ser não porque não querem, mas porque não sabem como. “Ahhh não se bate no Leone, faz uma festinha, assim” e mostre. =)
Compadecer-se – O nível de paciência das crianças é muito reduzido. Não experimentem passar uma tarde inteira num café com os seus amigos (ou seja lá quem for), e arrastar a criança consigo. Se (por acaso, mas só por acaso) o fizerem, de vez em quando leve a criança a apanhar ar e ver outras coisas. Nem que sejam as flores de um canteiro qualquer lá da rua.
Persistir – É fase é fase mas não caia na tentação de ceder, senão a fase vai prolongar-se até aos 45 anos. Se não há razão para lhe dar aquele brinquedo, ou para o/a deixar ir dormir à casa do/a amiguinho/a, não ceda. É um favor que lhe está a fazer: crianças que se habituam a ter tudo não aprendem a esperar, a resistir à frustração e a domar as suas fúrias.
Afastar-se – Se, por exemplo, estão numa festa de aniversário e a sua Joana já vai na 2ª mordidela que dá na bochecha da Matilde, não lhe dê um sermão. Chegue-se ao “local do crime”, diga-lhe que não se faz porque blablabla (a tal razão) e afaste-a. Provavelmente, vai espernear e chorar. Mantenha-a no seu colo ou perto de si, mas “longe” da festa, e espere que se acalme. Elogie o facto de se ter acalmado e incentive-a a pedir desculpa. Se repetir, faça tudo de novo. Há crianças muito persistentes e teimosas, e temos de ter paciência para que não nos salte a tampa e para que as possamos educar da melhor maneira possível. Depois de passada a tempestade, não recrimine e não fale mais disso. Voltem à brincadeira.
Ser esperto/a – Às vezes, basta um pouco de imaginação. O Tiago deixou cair a caixa de Legos ao chão. Se disser: “TIAGO MANUEL APANHA-ME JÁ ESSES LEGOS.” Não espere grande esforço da parte dele. Mas experimente: “Vamos ver quem apanha mais Legos do chão.” Vai ver a velocidade a que são arrumados… ahaha
Rir - Se a birra ainda não estalou, mas está mesmo para vir: Se ela está de sobrolho franzido, por exemplo, leve-a a um espelho e diga: "olha lá para a tua cara". Os rapazes são mais concentrados na birra e não costumam achar graça a estas dispersões, mas as meninas, geralmente, desatam a rir.
A guerra da comida - Não quer comer? Não come. Tão simples como isso. Não o/a habitue a ir à janela ou a ouvir histórias só para que coma. Uma refeição é uma refeição. Se não lhe apetece é porque não precisa, e nenhuma criança com comida na mesa passa fome. Come melhor ao jantar. Mas depois não ande a enchê-lo/a de bolachinhas a tarde toda, não é...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

As "festinhas" do final de ano

Estava a fazer uma pesquisa sobre jardins-de-infância quando me deparei com alguns vídeos daquelas festinhas de final de ano, e me lembrei daquela a que há um ano assisti.
Foi uma daquelas festas típicas, em que os pequeninos fazem uns “teatrinhos”, umas coreografias, umas secções decoradas de ginástica, cantam, enfim, trinta por uma linha.
Adoro crianças e, como tal, sou bastante atenta e crítica em relação a tudo que esteja ligado a elas.
Recordei algumas passagens de observadores entretidos na plateia, que gravei na memória, do género: “ - Ai elas trabalham mesmo bem com as crianças!” “– Estas educadoras são muito competentes.” “– O trabalhão que elas tiveram a organizar isto tudo…”. Isto, enquanto se riam de uma ou outra criança mais desesperada lá para o meio.
Meus senhores, festinhas de final de ano deste género são um atentado às vossas crianças. Não sou nenhuma especialista, e, portanto, tudo o que escrevo é apenas opinião de uma espectadora atenta.
As crianças são obrigadas a se exporem e a levarem um empurrão ou outro, porque às tantas a festinha começou às 20h30 sabe-se lá porquê, e a pequenada já está a morrer de sono.
Realmente o trabalho destas educadoras é genial. Por cerca de um mês, trabalham com as crianças na “festinha”, obrigando-as a pressões, stresses, decorar passos, músicas, enquanto podiam estar a brincar e a desenvolverem muitas capacidades com meia dúzia de legos, ou uma folha de papel.
As educadoras trabalhariam bem, se no final do ano expusessem, por exemplo, todos os trabalhos que as crianças fizeram ao longo de todo o ano. “Uma exposição como gente grande”,”A semana das exposições”, em que não há horário específico para que qualquer pessoa aprecie os trabalhos da pequenada! De 1 aos 5 anos, não importa se fizeram origamis, e o João (cinco anos) fez o barco direitinho, enquanto do papel da Beatriz (2 anos) sobrou uma bola amarrotada. Não importa. É trabalho deles e assim, não temos de expor as crianças a figuras ridículas, das quais, muitas nem um suporte familiar têm para assistir à festinha, ou então, são crianças mais tímidas e reservadas, que elas (as tais educadoras competentes), obrigam, literalmente, a estar presente. Porquê? Porque sim! Porque elas querem. Porque é bonito e fica bem. Aliás, dá até mesmo para as pessoas pensarem: “- Vês? Até trouxeram aquele miúdo que foge sempre de toda a gente e anda o dia todo enfiado lá nos cantos da sala. Elas devem andar a trabalhar esses traumas dele.” Trouxeram pois, trouxeram-no para um pesadelo, e os traumas que elas trabalham são apenas os que lhe acrescentam. E depois, acho interessante a hierarquia do palco. As crianças mais desenrascadas na frente, e o resto lá atrás. Atrás, deviam ficar as educadoras. E não atrás das crianças, mas atrás das cortinas. As crianças não têm de ser as marionetas mal usadas de educadoras que só querem fama e bom proveito.
Ia escrever “acho” mas tenho a certeza: não quero ser dessas “educadoras competentes”. O palco dos meus educandos será o tapete da sala, e o meu lugar, sempre, sempre atrás das cortinas.