"Então, o que fizeste hoje no Jardim?" Esta é a pergunta mais frequente e a menos correcta. Melhor seria: "Então, o que APRENDESTE hoje no Jardim?". A verdade é que na maior parte dos casos, e infelizmente, as crianças só sabem responder à primeira.
Ainda em relação à postagem anterior lembrei-me: já repararam que é raro o Jardim onde as crianças APRENDEM? Normalmente memorizam histórias, lenga-lengas, canções, coreografias, "peças de teatro", e o resto?
Normalmente, a manhã é dedicada ao conto. A educadora senta-se no chão juntamente com as crianças, pega num livro e lê a história monotonamente, enquanto vai virando o livro para as crianças observarem as ilustrações. Lá se vai a manhã toda porque entretanto a soma dos ralhetes dá metade da manhã, pois o João tava a mordiscar a Maria, o Pedro, o Miguel e a Francisca interromperam para ir à casa-de-banho, a Beatriz estava mais interessada na pulseira da Joana, etc etc. Não é de admirar. A professora devia estar a um nível mais alto do que as crianças (talvez sentada numa cadeira ou até mesmo em pé, podendo assim reagir fisicamente aquilo que é contado) para que todas a vissem e ouvissem melhor. O livro poderia ser digitalizado e mostrado, ao mesmo tempo que ouvem a história, através de um projector ou mesmo no ecrã de um qualquer computador. O facto de se interromper a história para as crianças olharem para o livro torna-se monótono e elas arranjam rapidamente maneira de escaparem da situação. Pior do que tudo isto, é a história apenas ser contada. Ouvem a histórinha, passam a manhã nisto, é tudo muito bonito e vamos lá almoçar. Se tudo fosse realizado com mais consciência, haveria tempo para as crianças ouvirem a história e ainda reflectir e brincar com esta. A educadora poderia pedir que as crianças recontassem a história à sua maneira, pedir as suas opiniões acerca da mesma, se há lições na história, se conseguem identificar "os maus e os bons". Podia inventar um novo final com as crianças, pegando, por exemplo, num novelo de lã que cada criança vai desenrolando e atirando ao colega seguinte para este continuar o raciocínio, fazendo assim uma teia de ideias, podia pedir às crianças que fizessem um desenho acerca da história (elas adoram), e, muito importante, dar logo de início ênfase ao título e autor do livro (só para as crianças notarem que isso é importante, e torná-las mais atentas e curiosas para esses pormenores).
Mas nada disto acontece. Os miúdos habituam-se desde cedo a ser passivos e a reter apenas informação, sem que a explorem ou apliquem. Crescem, vão para o 1º Ciclo e não participam, não estão atentos, não sabem aplicar dados. Crescem ainda mais, vão para o 2º Ciclo, 3º Ciclo, Faculdade e, em vez de se preocuparem em assimiliar e compreender os conteúdos, memorizam-nos na véspera dos testes/exames, e de quem é a culpa? Pois é, da fase Pré-escolar onde se habituaram a reter informação sem lhe prestar a mínima atenção. Notem como pequenos erros, somados, trazem graves prejuízos para o resto da vida das pessoas.
Ser educadora é, na minha opinião, das profissões mais bonitas e das que mais acarretam responsabilidades. É preciso gostar, e gostar muito, para nos empenharmos verdadeiramente naquilo que fazemos e darmos atenção a cada particularidade de cada criança. Temos o futuro nas mãos!
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