
A Mafalda vai fazer 3 anos e sempre foi uma criança muito inteligente. Para além da sua boa dicção, utiliza palavras complicadas que me espantam, de cada vez que ela se sai com alguma. É muito activa, adora descobrir. Uma das coisas que mais me fascina nela é a sua capacidade de reter informação. A Mafalda aprende tudo.
Acontece que há dias o pai da Mafalda me disse que ela não consegue aprender as cores. “Ela tem um livro com as cores e diz que quer aprender, mas não consegue. Troca-as todas!” Fiquei confusa. Pensei: bem, talvez começando a associá-las a objectos, ela consiga. (Mesmo assim, achei muito estranho que ela tivesse dificuldade nas cores). E aproveitei o facto de ela ter nesse dia um gancho e umas collants cor-de-rosa para lhe ir mencionando isso à medida que íamos brincando. “Anda cá arranjar o gancho cor-de-rosa que tens no cabelo.”, “Puxa as meias cor-de-rosa para cima que estão a descer.” Hmm, ela associou a cor e identificou, porém, fiquei muito intrigada e pensei no assunto durante algum tempo. Lembrei-me então das manhas. Sim, as manhas! Às vezes nós pensamos que estamos a brincar com a criança e é ela quem está a brincar connosco. Provavelmente, a Mafalda aproveita o período de aprendizagem das cores, como um momento de atenção. O pai, empenhado, ajuda-a e apoia-a na aprendizagem, e ela, claro, adora toda a atenção. Como tudo é tão fácil para ela, poderá decidir querer inverter um pouco as coisas e “brincar com o pai”. Então, propositadamente, erra nas cores. Podendo repetir vezes sem conta os erros e divertir-se com as ínfimas possibilidades de erro e, também, com o tempo dispendido no “jogo”.
Dois dias depois expus a minha ideia ao pai da Mafalda e propus que, ao ensinar-lhe as cores, errasse. Se ela estava realmente a fingir na dificuldade em aprender as cores, diria com certeza acerca de um objecto azul: “Nãããão papá, não é nada verde. É AZUL!”. O pai da Mafalda lembra-se de uma coisa importante: esteve a fazer figuras em barro com ela, e na parte da pintura das figuras, ele perguntou-lhe de que cor ia pintar o cesto da fruta e ela respondeu “verde”. Ele ausentou-se um pouco e as tintas ficaram na mesa, aleatoriamente, ao dispor da Mafalda. Quando voltou, ela estava a pintar o cesto (adivinhem de que cor??) de verde!!
A Mafalda fica tão aborrecida com a perfeição limitada, que tentou tornar o “jogo” mais interessante. Não só teve de saber correctamente as cores, como ainda seleccionar uma dúzia de relações erradas. Além disto, teve de “encenar” as respostas emocionais e faciais, fingindo que estava segura das suas respostas.
Riam-se. Porque eu também me ri. As crianças são muito inteligentes. É por estas e por outras que eu adoro aprender com elas!
Educadora de infância??? Ahaha. Qual quê? Até agora, só a infância me tem educado a mim.

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